Agile não é puff colorido nem post-it

Agile não é puff colorido nem post-it

Vejo muitas empresas por aí usando puffs coloridos e post-its na parede para mostrar que são agile. Puffs coloridos e ambientes mais joviais são perks, enquanto agile tem a ver com resultados rápidos e adaptabilidade em relação às mudanças. São coisas bem distintas.

Perks

Para concretizar, vejamos uma definição para perks, baseada na no business dictionary:

Perks são privilégios cedidos aos funcionários além de seu salário e benefícios.

Há algum tempo trabalhei numa start-up onde havia video-games, action figures, paredes “riscáveis”, muitos post-its por todos os lados e algumas vezes tivemos até happy hours na empresa.

Também já vi empresas que fazem grêmios de esportes radicais, aulas de dança, desenho, artes marciais. Outras, mais sérias, criam férias flexíveis, permitem home office, fazem intercâmbios entre países etc.

Essas coisas retém talentos, sem dúvida, mas não é isso que traz resultados.

Agile

Quando se fala de desenvolvimento de produtos, o que traz resultados é a filosofia agile.

Ela contradiz um modelo produtivo padronizado taylorista (à la Toyota) e o tradicional gerenciamento de projetos, em que se planeja tudo antes de começar o trabalho e se aproxima mais dos ciclos incrementais de experimentação e melhoria (à la PDCA).

No agile trabalha-se com prioridades de negócio, tempos fixos e avaliações constantes, buscando-se desenvolver “incrementos do produto” o mais rápido possível para submetê-lo à avaliação/feedback e logo começar o próximo cilo.

É o próprio conceito do MVP (minimum viable product), entregas menores, menos complexas e mais flexíveis.

Particularmente, acho bem inteligente. Pois ao experimentar um produto novo, tipicamente o cliente (ou usuário) costuma pedir mudanças e quanto mais demorar para conversar com ele, maior será o impacto no projeto.

Quem vê os post-its coloridos e a molecada de jeans e cabelo comprido nem imagina que a coisa é séria, né? Mas ela é.

Branding

No marketing existe um termo para esse processo de “construção de uma imagem” na cabeça do consumidos, que é o branding.

Nossa mente faz associações emocionais e não lógicas. Ninguém quer ver o relatório dos 100 últimos projetos da empresa, nem os relatórios das auditorias internas para saber se ela é agile ou não.

Só em concorrências vi empresas pedirem certificados de competência. Nas demais situações, por mais irracional que seja, os clientes vão avaliar se a empresa é agile pelas roupas, pelas cores e pelo jargão.

Então, trabalhemos o branding, mas estejamos cientes de que o cliente pode comprar uma “imagem” uma vez, mas que da segunda em diante, se não tiver resultados, vai recorrer a quem faz de verdade.

E tenho dito.

Eli Rodrigues

Publicado por: Eli Rodrigues