Se você tem medo de correr riscos, procure outra profissão!

Se você tem medo de correr riscos, procure outra profissão!

À natureza do trabalho em projetos estão intrínsecos risco e temporalidade, de tal forma que a própria definição confirma: Projeto é “um empreendimento temporário capaz de gerar um produto ou serviço único”.

Como Gerentes de Projeto estamos sempre nos equilibrando entre clientes, gerentes e liderados. Existem muitos fatores que podem influenciar a “travessia da corda”, alguns controláveis (escopo, prazo e custo) e outros incontroláveis (fatores ambientais).

Estamos diariamente lidando com problemas diversos para manter os projetos nos eixos. Sem falar nos problemas com as equipes, que às vezes não têm tempo de “ensaiar as jogadas” e já vão para a “final da Copa”.

Muitas vezes precisamos lutar contra a “inércia organizacional” para realizar projetos, como organismos estranhos à homeostase, sobretudo em organizações imaturas no gerenciamento de projetos. Mas hoje, quero apenas mostrar boas razões para se orgulharem ou abandonarem a profissão:
  • Escopo
    Segundo o DecisionReport, cerca de 82% do retrabaho em projetos está relacionado ao Escopo e 53% dos defeitos têm a mesma origem. É de assustar, não? Simplificando o conceito, o Escopo é o trabalho a ser gerado e deve conter caraterísticas do produto e do projeto.Os problemas do Escopo já começam no levantamento, daí surgiram as famosas frases como: “o cliente não sabe o que quer”, “o cliente muda de idéia toda hora”, “os técnicos não sabem estimar o tempo”. Chega de autopiedade! Sei que os cenários podem ser diversificados, mas existem modelos e métodos para tratar a maior parte deles.O ponto alto dos problemas no escopo é quando o produto simplesmente não atende à expectativa do cliente, ou ainda, quando o escopo muda tanto, que o projeto se torna “eterno“. Já calcularam o prejuízo que isso causa?
  • Tempo (Prazo)
    Já na gestão do Prazo, a situação é tão crítica que existem empresas incluindo o “atraso” no contrato, numa cláusula em “letra de tamanho reduzido” rs… Fiquei abismado quando ouvi isso! Simplificando o conceito, Gestão do Prazo refere-se a todo o conjunto de práticas e ferramentas que auxiliam o projeto a ser concluído na data combinada.Mesmo empresas renomadas estão sujeitas a atrasos, mas acho curiosa a insistência em estabelecer prazos arbitrários (sem consultar especialistas), nunca há tempo para planejar, apenas para retrabalhar. Muitas situações podem levar um projeto ao atraso, mas muitas delas podem ser previstas e gerenciadas como riscos. Por que não fazê-lo?
  • Custo
    Sobre o custo só tenho uma coisa a lhe dizer, ele nunca diminui! O que foi gasto não volta mais. Simplificando o conceito,  o Gerenciamento de Custos trata tudo que envolve dinheiro: Aquisições, equipamentos, serviços, recursos humanos, materiais, despesas, taxas etc.Em geral, os custos são impactados pelas demais disciplinas, por exemplo: um atraso, uma mudança não-prevista em contrato, um risco ocorrido (previsto ou não), um produto que não passe no controle de qualidade. Porém, o mais caro de tudo é pagar pelo retrabalho, que geralmente não é previsto. O ponto crítico é definir “quem vai pagar pelo prejuízo”, se é o cliente, um fornecedor ou o próprio projeto.Também é importante ponderar o custo de fazer, por exemplo, um crashing versus pagar uma multa. Gerenciamento de Custos é uma disciplina sensível na maioria dos projetos, pois envolve desembolso. Se o projeto sair dos eixos sem acordo com as partes interessadas, tem início a “caça às bruxas” e o primeiro será sempre o GP.
  • Fatores ambientais
    São vários os fatores “incontroláveis” que podem levar um projeto a fracassar, ainda que o GP seja “bom”. Pode-se dizer que os Fatores Ambientais se referem ao comportamento da empresa em relação aos projetos. Ex: quando não há políticas claras para o gerenciamento de projetos; um departamento não dá o apoio necessário; não há arbitragem de conflitos (escalada, agravamento); ausência de processos institucionalizados etc.Ao GP cabe conhecer, estudar e influenciar os fatores ambientais que puder, e quando não for possível, tentar evitar que hajam “feridos”.

Por que todos querem a minha cabeça?

Sem neuroses, amigo! É apenas uma corda bamba, você entrou nela porque quis. Aceite os riscos, haverá vento, frio, distrações, uma corda mal atada, tudo pode acontecer!

Um dos profissionais mais notáveis da Gestão de Projetos na atualidade, professor José Finocchio Jr, mandou essa célebre frase no twitter recentemente:

Veja o mercado como o mar, ele tem marés altas e baixas, as ondas vem e vão. Esteja preparado! O risco é tão inerente à nossa profissão que temos até uma disciplina para aprender a gerenciá-lo.

Se você busca uma posição de conforto na área de projetos, pode ser que encontre: projetos monótonos, repetitivos, sem desafio e um salário abaixo da média. O problema é que a próxima onda está sempre chegando, quem irá lhe proteger quando o tsunami chegar?

Busque sempre mais! Todo projeto tem inicio, meio e FIM, lembre-se sempre disso! E parafraseando o professor, tenha sempre um plano B, reserva financeira, currículo atualizado e fique “antenado” no que acontece no mundo (novas técnicas, métodos e tendências), assim um GP sobrevive e se destaca. E aí, vai encarar?

 

Eli Rodrigues

 

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Publicado por: Eli Rodrigues